terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Como a construção civil vai liderar a retomada econômica em 2020?


“Uma das alavancas do crescimento.” Esta é a definição da construção civil para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. De fato, o setor é o principal pilar da economia não só pela importância da moradia e o anseio dos brasileiros por conquistar o imóvel próprio, mas também pela capacidade de geração de empregos. Este segmento, que representa cerca de 10% do PIB brasileiro, emprega hoje 2,3 milhões de pessoas – isso em tempos de crise. Em 2020, a indústria tem potencial para criação de 150 a 200 mil postos de trabalho formais.
Além disso, é válido ressaltar que apenas 2% do material utilizado na construção civil é importado. Se analisarmos toda a cadeia de produção, as indústrias de materiais envolvidas, veja quanto emprego é gerado, quantas famílias colhem os benefícios de um setor forte e bem estruturado! Quando a construção civil vai bem, as fábricas têm de contratar para atender à demanda. Com isso, há mais pessoas com renda, consumindo mais, fazendo a economia se movimentar e o país crescer.
Nos últimos anos, a construção civil vem sendo impulsionada por alguns fatores. Os principais são a queda na inflação e os juros baixos. Isso tem um impacto direto no poder de compra da população. Um imóvel é, geralmente, o maior investimento da vida de uma pessoa. Se ela não tem confiança na economia, dificilmente se sentirá segura para designar um valor tão alto. Por outro lado, se a economia for bem e o cenário político se estabilizar, o setor tem ótimas perspectivas de crescimento.
Para que a construção civil continue acelerada, é preciso manter as políticas de incentivo ao financiamento, não só de imóveis, mas de materiais também. Em março, a Caixa irá lançar uma linha de crédito imobiliário com taxas de juros prefixadas. Isso significa que antes mesmo de fazer um financiamento, você já sabe quanto vai pagar no final e, assim, pode calcular o tamanho da dívida. Aquele imóvel tende a valorizar? Vai cobrir o valor desembolsado? Todas essas questões ficarão mais claras. Obviamente, também existe a possibilidade de os juros diminuírem, mas a modalidade anima os perfis mais conservadores e cautelosos.
Por outro lado, o setor precisa se fortalecer diante das especulações, que geram, principalmente, uma queda de emprego muito forte. Todos os dias, somos bombardeados com análises de mercado que provocam receio e impedem que bons negócios sejam feitos. Precisamos acreditar na construção, investir na capacitação de mão de obra e facilitar o acesso à informação. Enquanto o setor não se atualizar às demandas de mercado, continuará perdendo boas oportunidades.
Por Wanderson Leite, administrador de empresa e fundador das empresas ProAtiva - ADEMI

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Preços dos imóveis tiveram queda real no acumulado do ano, aponta FipeZap

Por G1
 

Rio de Janeiro se manteve no topo da lista das cidades com o metro quadrado mais caro — Foto: Lívia Torrres/G1 Rio de Janeiro se manteve no topo da lista das cidades com o metro quadrado mais caro — Foto: Lívia Torrres/G1
Rio de Janeiro se manteve no topo da lista das cidades com o metro quadrado mais caro — Foto: Lívia Torrres/G1
O preço médio dos imóveis ficou praticamente estável nos primeiros 11 meses de 2019, em alta de 0,02%, segundo pesquisa FipeZap divulgada nesta terça-feira (3). A variação é bem menor do que a inflação de 3,04% esperada para o mesmo período, o que significa uma queda real de 2,92% do preço dos imóveis.
A pesquisa monitora os valores de anúncios de casas e apartamentos à venda em 50 cidades. Para a comparação da variação desses preços com a inflação, o levantamento considera as previsões do Boletim Focus, do Banco Central, para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).
Na comparação dos últimos 12 meses terminados em novembro, a pesquisa também mostra alta de preços abaixo da inflação. A variação do valor médio dos imóveis subiu 0,14%, abaixo da inflação prevista de 3,19% para o período. Isso representa queda real de 2,96% nos preços.
Na passagem de outubro para novembro, não houve variação nominal de preços. Se considerada a inflação de 0,43% esperada para o mês, a queda real foi de 0,43%.
Variação do preço dos imóveis residenciais
Comparação mensal, em %
em %-0,06-0,060,060,060,110,110,130,130,080,080,020,020,140,14-0,06-0,06-0,03-0,03-0,03-0,030,060,06-0,15-0,15-0,14-0,1400outubro 2018novembro 2018dezembro 2018janeiro 2019fevereiro 2019março 2019abril 2019maio 2019junho 2019julho 2019agosto 2019setembro 2019outubro 2019novembro 2019-0,2-0,100,10,2
Fonte: FipeZap
Em novembro de 2019, o preço médio de venda de imóveis residenciais calculado pelo levantamento foi de R$ 7.235 por metro quadrado. Entre os locais pesquisados, o Rio de Janeiro se manteve como a capital mais cara, com preço de R$ 9.347 por metro quadrado, seguida por São Paulo, com R$ 8.994, e Brasília, com R$ 7.354. Já entre as capitais monitoradas com menor valor ficaram Campo Grande (R$ 4.143), Goiânia (R$ 4.154) e João Pessoa (R$ 4.545).

fonte: G1 economia

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Redução de juros pode dar acesso a crédito imobiliário a 2,8 milhões de famílias

Redução de juros pode dar acesso a crédito imobiliário a 2,8 milhões de famílias

Publicado em 27/11/2019 , por Fernanda Brigatti
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Financiamento mais barato depende de Selic baixa e confiança no setor, diz estudo
O novo ciclo de juros básicos mais baixo anima o mercado imobiliário, que começa a ver sinais de recuperação e já faz apostas de resultados melhores para o próximo ano. 
Com o corte na Selic, que atingiu a menor patamar desde 1999, o crédito imobiliário também ficou mais barato, acompanhando as reduções na taxa básica, hoje em 5%

Os juros médios do crédito para o setor ficaram, em setembro deste ano, em 8,65% ao ano, batendo a mínima da série histórica do Banco Central.  
A redução desses juros pode permitir a inclusão de milhares de mutuários no sistema de crédito. 
Estudo a ser divulgado nesta terça-feira (26) pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) calcula que a cada ponto percentual de redução nos juros imobiliários, pelo menos 2,8 milhões de famílias passariam a ter condições de contratar esse tipo de crédito.
O cálculo considera o potencial de acesso ao financiamento imobiliárioao reduzir o custo total da operação e o valor da parcela inicial.
Na compra de um imóvel de R$ 300 mil, que atende o segmento chamado de médio alto padrão, o MAP, a Abrainc estima um aumento de 20% no número de famílias elegíveis ao crédito a cada 1% de redução na taxa de juros. 
Atualmente, com os juros na faixa dos 8%, 4,4 milhões de famílias elegíveis a pegar dinheiro emprestado para a compra da casa própria. Em 7%, esse número subiria a 5,3 milhões e chegaria a 7,2 milhões se os juros chegassem a 5%.
Esse segmento é o que registrou o maior avanço (19%) no volume de lançamentos até agosto, último mês do indicador calculado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
Entre as 20 incorporadoras associadas à Abrainc, o Minha Casa Minha Vida ainda é responsável por mais de três quartos dos lançamentos. O mês de agosto foi o melhor desde 2015, “corroborando a alta confiança dos empresários do setor”, diz a associação.
Para a habitação popular, o potencial de inclusão de famílias pode chegar a 2 milhões se houver redução no juros. As famílias elegíveis a conseguir crédito para financiar um imóvel de R$ 150 mi chegariam a 15,1 milhões se as taxas médias saíssem da faixa de 8% e caíssem para 7%.
Na segunda-feira (25), a Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) apresentou os indicadores do terceiro trimestre deste ano e reforçou o otimismo do mercado. Os lançamentos de unidades residenciais cresceram 23,9%, e as vendas, 15,4%, na comparação com o mesmo período em 2018.
O estudo da Abrainc apresenta outros cinco indicadores para demonstrar os motivos para o otimismo do setor, que são os resultados de vendas na região metropolitana de São Paulo, a concessão de alvarás na capital paulista, o resultado do PIB do setor, o volume de crédito imobiliário contratado e a geração de empregos na construção civil, todos em alta.
Em todos os casos, a associação das incorporadoras aponta uma correlação entre os momentos em que o setor reage com as taxas de juros mais baixas.
No caso das vendas de imóveis na região metropolitana, a Abrainc acredita que “o cenário de queda de juros atual será uma grande alavanca para um ciclo de crescimento no mercado imobiliário nos próximos anos.”
Segundo o estudo, ao menos desde janeiro de 2014 o volume de vendas estava em trajetória descendente. A partir do início do ano passado, a curva de imóveis comercializados começa a subir, encontrando o traçado de queda nos juros básicos. 
Em outro indicador, o dos alvarás de construção, a Abrainc diz que o resultado recordista em setembro, com 881 concessões, ocorre na sequência do corte da Selic. Com exceção de dois momentos nos quais houve uma disparada nos pedidos —em 2010, com a mudança de patamar no Minha Casa Minha Vida, e em 2014, antes da entrada em vigor no plano diretor, o volume de autorizações só cresce quando os juros estão em queda. 
A Abrainc considera o resultado dos alvarás um indicador da movimentação do mercado na capital nos próximos anos. O aumento nos últimos meses, diz, é puro, sem fatores externos que tenham turbinado o setor.
O setor da construção civil criou 7,2 mil empregos com carteira assinada em outubro e acumula 124 mil postos de trabalho mantidos desde janeiro. O resultado para o mês é particularmente positivo, quando se considera que houve a manutenção de 560 vagas em 2018 e cortes entre 2012 e 2017.
No setor serviços, o subgrupo que trata da administração de imóveis ficou com saldo positivo em 14 mil empregos. 
Fonte: Folha Online - 26/11/2019