terça-feira, 20 de agosto de 2019

Com juro baixo, taxa de crédito imobiliário se aproxima do menor patamar da história

Com juro baixo, taxa de crédito imobiliário se aproxima do menor patamar da história

Publicado em 20/08/2019 , por Aline Bronzati e Circe Bonatelli
Inflação sob controle, perspectiva de novos cortes na Selic e aumento da concorrência entre bancos levaram o juro médio dos empréstimos para a compra da casa própria em junho para 7,73% ao ano
Com a inflação sob controle e a perspectiva de novos cortes nos juros básicos da economia até o fim do ano, a taxa cobrada de quem busca o crédito imobiliário caminha a passos largos para o menor nível da história – o que pode ocorrer já em 2020, segundo analistas do setor. Essa expectativa foi impulsionada pela maior concorrência entre os bancos e pela retomada dos financiamentos da Caixa Econômica Federal neste ano. O movimento já se reflete em alta de vendas e lançamentos.
A previsão de redução das taxas de financiamento imobiliário acompanha as quedas da Selic, os juros básicos, hoje em 6% ao ano. A maior parte do mercado financeiro prevê que a taxa caia para 5% ao ano até o fim de 2019, enquanto os mais otimistas falam em 4,75%.
Assim, o juro médio dos empréstimos para compra da casa própria ficou em 7,73% ao ano em junho, conforme dados do Banco Central (BC), que consideram financiamentos para pessoas físicas com recursos direcionados. É um nível parecido com o de fevereiro de 2013, o mais baixo da série, quando estava em 7,69%. Naquela época, porém, a Selic foi cortada para 7,25% ao ano, em um movimento considerado “artificial” – tanto é que o juro baixo não durou muito tempo, e a taxa voltou a subir logo em seguida.
Agora, no entanto, o cenário é diferente: bancos e construtoras acreditam que um novo piso histórico nos juros do crédito imobiliário deverá acontecer naturalmente, graças ao ajuste fiscal em curso no País, à inflação baixa e à tendência de novos cortes na taxa Selic. 
“Se o Banco Central confirmar a expectativa atual de baixar ainda mais a Selic, é natural que haja adequação das taxas de juros do financiamento”, avalia o economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci.
O setor estima que a redução de cada ponto porcentual nos juros básicos represente um desconto de 7% a 8% na parcela do financiamento, o que significa que ela passa a caber no bolso de mais consumidores. “Em São Paulo, são vendidos de 25 mil a 30 mil imóveis novos por ano. Em alguns anos, esse patamar poderia subir para 40 mil”, estima o analista de mercado imobiliário do banco BTG Pactual, Gustavo Cambauva.
Também está no horizonte o novo modelo de crédito para a casa própria, que substitui a Taxa Referencial (TR), hoje zerada, pela inflação corrigida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 3,22% nos últimos 12 meses até julho. O modelo deve entrar em vigor nos próximos dias, segundo o presidente da Caixa, e a expectativa do setor é que a mudança abra espaço para juros menores.
O copresidente da MRV Engenharia, Rafael Menin, diz acreditar que o mercado nacional poderia até dobrar de tamanho em dez anos, caso haja redução dos juros do financiamento associada ao crescimento sustentável do Produto Interno Bruto (PIB) e à estabilidade política.
“Em uma década, o mercado pode sair do patamar de produção de 600 mil imóveis por ano para um degrau de mais de um milhão de unidades por ano”, calcula Menin. A construtora vem ampliando os negócios e espera chegar a 50 mil unidades lançadas neste ano.
A fisioterapeuta Thaís de Oliveira Braga, de 32 anos, e o marido, o funcionário público Fabio Barbosa Gomes, 38 anos, aproveitaram a queda nas taxas para comprar um apartamento para a família. “Tinha ouvido no rádio que este era o melhor momento dos juros imobiliários. Então, falei: Fabio, é agora.” 
Eles procuraram na internet um imóvel que se encaixasse no orçamento e escolheram um empreendimento na zona norte de São Paulo. No fim do mês passado, o casal deu uma entrada de R$ 160 mil em um apartamento da Gafisa e iniciou o processo de financiamento. O restante do valor do apartamento – o total é de R$ 300 mil – vai ser pago em 420 meses, com uma taxa de juros de 7,99%.
Crise lá fora
Apesar do cenário positivo para o setor, a perspectiva de uma nova crise econômica internacional, que se desenha no horizonte, poderia fazer com que o Brasil voltasse a subir a taxa Selic e, por consequência, a taxa cobrada no financiamento imobiliário aumentasse.
A crise internacional entrou no radar nos últimos dias, após uma sinalização de juros de longo prazo mais baixos nos Estados Unidos, o agravamento da guerra comercial entre americanos e chineses e a previsão de menor crescimento mundial.
O diretor de Economia da Anefac (associação que reúne executivos de finanças), Roberto Vertamatti, estima que se o cenário de crise internacional se confirmar, ela pode se refletir no Brasil, levando a uma desvalorização do real ante o dólar e a uma resposta do Banco Central no aumento dos juros.
Ele avalia que uma nova crise poderia ser particularmente ruim para o Brasil, em um momento em que o País começa a dar os primeiros sinais de recuperação. “A crise internacional poderia comprometer os resultados do PIB de 2020 e 2021.”
Já o coordenador do MBA de gestão financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira, pondera que, embora possa haver mudança no cenário internacional, isso não deve ocorrer em menos de um ano.
Ele estima, portanto, que há uma janela para que os juros do financiamento fiquem mais baixos. “É mesmo um bom momento para financiar. Na pior das hipóteses, o consumidor terá até o ano que vem para aproveitar as taxas.” / COLABORARAM ERIKA MOTODA e DOUGLAS GAVRAS
Fonte: Estadão - 19/08/2019

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Taxa de juros para crédito imobiliário indexada à inflação será menor, diz presidente da Caixa

Taxa de juros para crédito imobiliário indexada à inflação será menor, diz presidente da Caixa

Publicado em 16/08/2019 , por Fabrício de Castro
Presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou que o Banco Central e o próprio Conselho Monetário Nacional (CMN) já aprovaram essa possibilidade
BRASÍLIA - O presidente da Caixa Econômica FederalPedro Guimarães, afirmou nesta quinta-feira, 15, que o banco está próximo de anunciar, oficialmente, o lançamento de linhas de crédito imobiliário pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) com custo indexado ao IPCA – o índice oficial de inflação. O índice poderá substituir a Taxa Referencial (TR) em contratos novos de financiamento. Segundo Guimarães, o anúncio pode ocorrer na próxima semana. 
Guimarães afirmou que o Banco Central e o próprio Conselho Monetário Nacional (CMN) já aprovaram essa possibilidade. Questionado sobre os motivos para que o voto do CMN neste sentido não ter sido publicado, Guimarães desconversou. No entanto, ele lembrou que na última quarta-feira, 14, o CMN promoveu uma reunião extraordinária no Ministério da Economia. Após este encontro do CMN, foi divulgada apenas uma resolução, ligada ao financiamento de produtores de arroz.

“Estamos focando no setor imobiliário”, disse Guimarães a jornalistas no início da noite de hoje. Segundo ele, as linhas de crédito imobiliário indexadas a índices de inflação serão anunciadas assim que o banco estiver preparado para atender aos clientes. “Certamente, a taxa de juros do crédito imobiliário indexado ao IPCA será bem menor”, acrescentou o presidente da Caixa. Ele evitou, no entanto, revelar o quanto será mais baixa.
Estadão/Broadcast antecipou o que o Banco Central estudava a possibilidade de permitir que os bancos utilizem índices de inflação, como o IPCA, como referência para o reajuste das parcelas do crédito para compra da casa própria em operações do SFH, para imóveis com valor de até R$ 1,5 milhão. O índice de inflação seria um substituto da TR, hoje usada como indexador em todas as operações do SFH. A expectativa do setor é de que a mudança possa abrir espaço para juros menores nos novos contratos.
Atualmente, quem financia imóvel pelo SFH paga uma taxa de juros fixa, cujo limite é de 12%, mais a TR, que atualiza o saldo devedor. Como o valor da TR hoje é zero, o mutuário da casa própria paga, na prática, apenas o valor fixo. Os dados mais recentes do Banco Central mostraram que a taxa média de juros cobrada em financiamentos imobiliários fechados em maio foi de 7,7% ao ano neste caso. Quem financiou o imóvel a taxas de mercado (fora do SFH) teve acesso a um juro médio de 9,2% ao ano. O SFH já possui um custo mais baixo por utilizar recursos da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). 
Repasses. Guimarães anunciou nesta quinta-feira que recebeu autorização do conselho do banco para pagar ao Tesouro mais R$ 7,35 bilhões referentes à dívida com Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD). Com os outros R$ 3 bilhões já pagos em junho, a Caixa completa agora um total de R$ 10,35 bilhões quitados. Isso corresponde a 25% dos R$ 40 bilhões devidos pelo banco.
Os IHCD foram usados pelo governo da presidente Dilma Rousseff para elevar o volume de recursos em instituições públicas. Até o fim do ano, conforme Guimarães, a Caixa planeja pagar mais R$ 10 bilhões.
Fonte: Estadão - 15/08/2019

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Caixa prepara modelo de crédito imobiliário que reduz juros a faixa de 6% ao ano

Caixa prepara modelo de crédito imobiliário que reduz juros a faixa de 6% ao ano

Publicado em 19/07/2019 , por Julio Wiziack
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Pedido de autorização para novo sistema foi encaminhado ao Banco Central e inclui troca da TR por IPCA
Caixa Econômica Federal aguarda autorização do Banco Central para anunciar, nas próximas semanas, uma redução de até 31,5% dos juros dos financiamentos imobiliários.

Como o banco estatal detém mais de 70% do crédito habitacional do país, outras instituições também podem derrubar suas taxas para evitar a perda de novos clientes.


Atualmente, os contratos de financiamento habitacional são corrigidos pela TR (Taxa Referencial, hoje zerada). Os bancos cobram um adicional que costuma variar de 8,5% a 9,5%.
  
Com a mudança, a Caixa vai reajustar os contratos pela inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O IBGE aferiu que esse índice deve fechar em 3,82% neste ano. 

Apesar de aplicar uma correção que hoje inexiste, na outra ponta o banco abrirá mão, em um montante maior, de suas próprias taxas, que acabam por onerar os empréstimos concedidos.

O que ainda está em discussão na Caixa é a taxa adicional, que poderá variar de 2% a 3%.

Clientes da Caixa ou com boa avaliação de crédito na praça pagarão juros menores. Isso significa que, na prática, o juro total sofrerá cortes entre 28% e 31,5% em relação ao modelo vigente.

Somando juros e taxas cobrados, seriam 8,5% (no modelo pela TR), ante 5,82% (no modelo pelo IPCA), e 9,5% (pela TR), ante 6,82% (pelo IPCA).

A direção da Caixa e a equipe econômica, que avalizou a mudança, pretendia fazer o anúncio na próxima semana alinhando-se com uma possível redução da Selic, a taxa básica de juros da economia que está em 6,5% ao ano.

No entanto, o Banco Central ainda avalia o pedido de mudança dos indexadores. Caso aprovada, a nova regra só valerá para novos contratos. Não será possível migrar de um modelo para outro.

Com a redução dos juros, o banco pretende estimular novos empréstimos e, com a receita desses pagamentos, emitir títulos imobiliários no mercado.
O movimento, no entanto, é completamente diferente daquele implementado pela ex-presidente Dilma Rousseff, que, em 2012, forçou a Caixa e o Banco do Brasil a cortar juros nos empréstimos.

A iniciativa de Dilma não deu resultado. Na época do governo da petista, os bancos amargaram prejuízos e, pouco depois, voltaram atrás elevando suas taxas.
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Desta vez, a ideia da Caixa é reduzir os juros ao trocar o indexador dos contratos, o que permitirá usar o fluxo de pagamento dos financiamentos como lastro para a emissão de títulos a serem negociados no mercado —um processo conhecido como securitização.
Com os recursos da venda de papéis, a Caixa poderá conceder novos financiamentos, amortizando custos.

Recentemente, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, estimou que poderá emitir até R$ 100 bilhões em papéis lastreados com financiamentos imobiliários. No primeiro ano, esse número seria de R$ 10 bilhões.

Cálculos conservadores indicam que a Caixa poderia dobrar sua carteira de crédito habitacional, passando dos atuais R$ 449 bilhões, no primeiro trimestre deste ano, para quase R$ 1 trilhão.

Nos EUA, o mercado de securitização imobiliária causou uma das mais graves crises financeiras mundiais. Em 2008, grandes bancos foram à lona por terem adquirido títulos podres de hipotecas americanas.

Para evitar esse risco, a Caixa só vai securitizar financiamentos com índice baixo de inadimplência. Contratos do Minha Casa Minha Vida, por exemplo, ficarão fora.

Hoje, mais de 90% de sua carteira de crédito imobiliário tem atraso de, no máximo, dois meses.

“Para o investidor, é muito melhor você comprar um papel que segue um indicador de mercado [o IPCA, que mede a inflação]”, diz Daniel Malheiros, sócio da RBR Asset. “A TR é um índice muito sensível ao risco de governo.”

Para Malheiros, a mudança levaria o investidor a considerar a compra de um título imobiliário. Hoje, quem compra um título do Tesouro já prefere o pós-fixado. “Os [títulos do Tesouro] mais procurados são aqueles corrigidos pela inflação.”
A iniciativa da Caixa está alinhada com uma estratégia do governo de reacender a economia, que flerta com a recessão. 

Desde o início do governo Jair Bolsonaro, há seis meses, a equipe econômica rebaixou três vezes a estimativa oficial de crescimento para este ano. 

A área de construção costuma ser o principal sensor da atividade econômica. 

Quando o setor vai bem, passa a contratar, arrastando outros ramos de atividade porque está entre os que mais demandam trabalhadores.

Até o momento, a Caixa tinha anunciado uma redução de 1,25 ponto percentual nas taxas de juros para financiamentos imobiliários concedidos com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que hoje responde por quase 40% do total dos financiamentos.

Também abriu rodadas de renegociação de contratos em atraso concedendo, em alguns casos, até 90% de descontos de juros. Essa campanha atingiu 2,3 milhões de pessoas.

No governo e na cúpula do banco, a redução ampla dos juros imobiliários é considerada uma “revolução”. O plano foi traçado por Guimarães, da Caixa, durante a transição.

Essa queda faz parte de um conjunto de medidas para reaquecer a economia que devem ser anunciadas pelo presidente Jair Bolsonaro. 

Dentre elas, está a possibilidade de saques das contas ativas e inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e do PIS/Pasep, que podem movimentar mais R$ 30 bilhões.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, só pretendia liberar os saques depois de aprovada a reforma da Previdência no Congresso.

No entanto, com a queda consecutiva da atividade econômica, preferiu dar uma injeção no PIB, que pode crescer até 0,4 ponto percentual com essa medida.
Quase um terço mais barato
Caixa vai mudar regras para reduzir juros de financiamentos habitacionais
Como é hoje?
Os contratos são corrigidos pela TR (Taxa Referencial, hoje zerada) e o banco cobra uma taxa adicional sobre esse valor, que varia de 8,5% a 9,5% ao ano
Como ficará?
Os contratos devem ser corrigidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE, 
e o banco deve cobrar uma taxa adicional entre 2% e 3% ao ano. Como o IPCA projetado para este ano 
é de 3,82%, na prática, os juros dos financiamentos devem girar entre 5,82% e 6,82% ao ano
Por que a Caixa está fazendo isso?
Ao mudar a indexação dos contratos, o banco consegue emitir títulos no mercado que terão como garantia o pagamento das parcelas dos financiamentos habitacionais. Com a venda desses títulos, a Caixa conseguirá compensar a redução das taxas adicionais e ampliar a oferta de crédito imobiliário
Não há risco?
A Caixa responde por mais de 70% do crédito imobiliário do país, e mais de 90% dessa carteira tem inadimplência muito baixa
31,5%
será a redução máxima de juros para os clientes que forem da Caixa e tiverem bom histórico de pagamento; para os demais, a redução pode ser de 28%

 R$ 100 bilhões 
é o potencial previsto pela Caixa para emissão de títulos a partir deste ano

R$ 447 bilhões
foi o saldo da carteira de crédito imobiliário da Caixa no primeiro trimestre deste ano. Deste total, fatia de 40% foi concedida com recursos do FGTS
Fonte: Folha Online - 18/07/2019

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Família que ganha até um mínimo terá custo zero para comprar sua casa

Publicado em 06/06/2019 , por Marina Cardoso
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Programa Minha Casa Minha Vida será desmembrado para beneficiar pessoas de baixíssima renda   tabela minha casa minha vida
tabela minha casa minha vida - arte o dia
Rio - A proposta de desmembramento do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, anunciado ontem pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, vai viabilizar 100% do valor do imóvel para as famílias sem acesso ao mercado formal imobiliário. Com o projeto, as pessoas com renda de um salário mínimo (R$998) terão a chance de ter subsídio integral da União e custo zero para adquirir a moradia. Atualmente, a faixa mais baixa atende famílias com renda mensal de até R$ 1,8 mil. Além do patamar de baixíssima renda, o programa teria apenas mais um nível: de baixa e média renda. O ministro também anunciou uma 'poupança imobiliária', no qual as famílias moram na unidade e pagarão uma espécie de aluguel. 
De acordo com Canuto, dentro das duas novas faixas apresentadas, cada programa terá subdivisões. No caso da baixíssima renda, serão atendidas pessoas sem acesso ao crédito imobiliário; afetadas por situações de emergência ou calamidade pública; e também por intervenções de obras federais. Há casos, ainda, que a família não será dona do imóvel, na modalidade de 'Serviço de Moradia Social'. Ela poderá morar no local, mas sem direito à propriedade.
Já na faixa de baixa e média renda, a medida será adotada para as famílias com renda bruta mensal de dois (R$1.996) até  sete salários mínimos (R$ 6.986), com financiamento ou por modalidade chamada de 'Poupança habitacional'. A primeira oferecerá subsídio e taxas de juros especiais, de forma semelhante a que ocorre atualmente nas faixas 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida. Os detalhes das condições estão em debate com o Ministério da Economia e com a Caixa Econômica Federal. 
A poupança imobiliária funcionará como aluguel. As famílias deverão fazer depósito mensal para o governo. "No fim de determinado período - ainda em estudo -, o morador poderá usar o recurso na quitação do saldo para adquirir o imóvel ou terá opção de compra em outro local, caso queira mudar", disse Canuto. 
Investimentos no setor
Para o vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-Rio), Leonardo Schneider, o financiamento de 100% para famílias de baixíssima renda trará novos investimentos para o setor.
"Com o anúncio, há expectativa de mais investimentos e de movimentação para o mercado. É claro, que, ainda, a possibilidade de reduzir o déficit habitacional no país, com oportunidades para parcela da população que não tem acesso à moradia", afirma o presidente do Secovi.
Além disso, a divisão do programa em dois subgrupos pode trazer vantagens, segundo Schneider. "A separação possibilita maior foco das construtoras e segmentação de imóveis para cada perfil", explica Schneider.
Fonte: O Dia Online - 05/06/2019

Caixa corta juros no crédito imobiliário e vai renegociar dívidas de 600 mil famílias

Caixa corta juros no crédito imobiliário e vai renegociar dívidas de 600 mil famílias

Publicado em 06/06/2019 , por Danielle Brant
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Mutuário poderá usar FGTS para quitar até três parcelas atrasadas
A Caixa Econômica Federal vai cortar juros no crédito imobiliário e oferecer novas alternativas para renegociação de financiamento habitacional em atraso, em mutirão que inclui imóveis do Minha Casa, Minha Vida, anunciou o banco público nesta quarta-feira (5).
As reduções de taxas ocorrem tanto no SFH (Sistema Financeiro de Habitação), para imóveis até R$ 1,5 milhão e que permite o uso do FGTS(Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), quanto no SFI (Sistema Financeiro Imobiliário), para aqueles acima desse valor e sem a possibilidade de uso do Fundo.
No SFH, a taxa para clientes com conta na Caixa caiu de TR (Taxa Referencial, hoje zerada) + 8,75% para TR + 8,5%. No SFI, a redução foi de TR + 9,75% para TR + 8,5%, também para correntistas do banco. Ambas começam a valer a partir de segunda (10). A taxa Selic está em 6,5% ao ano
“A grande mensagem aqui é que estamos igualando o funding, seja da classe média ou da classe com um pouco mais de poder aquisitivo. A partir da classe mais baixa de renda, a taxa é igual para todo mundo, seja renda média ou renda um pouco superior”, afirmou Pedro Guimarães, presidente do banco, em coletiva. “Tiramos a distorção entre classe do SFH, de média renda, para uma classe média um pouco mais alta.”
O banco também prevê oferecer a futuros clientes a tabela Price no financiamento imobiliário. Essa opção reduz em até 15% a parcela inicial do financiamento, mas mantém os valores das prestações iguais ao longo do empréstimo. Na tabela SAC, usa pela Caixa, a primeira prestação era mais elevada, mas o valor ia diminuindo durante o financiamento.
Nas próximas semanas, a Caixa vai detalhar uma nova modalidade de crédito, na qual os juros serão atrelados ao IPCA (índice oficial de preços), e não à TR, como ocorre hoje, indicou Guimarães.
A ideia é facilitar a venda dessa carteira de crédito pela securitização desses empréstimos. Com um indexador como o IPCA, os bancos podem fazer o hedge (proteção) comprando títulos públicos atrelados ao IPCA. No caso da TR, não há um título federal que use essa taxa como indexador, explicou Guimarães.
O banco ainda decidiu ampliar as formas de renegociação de financiamento imobiliário atrasado. Cerca de 600 mil famílias, ou 2,3 milhões de clientes, poderão regularizar o imóvel atrasado, segundo estimativas do banco.
Ao contrário do que fez com o crédito comercial, em que a campanha de renegociação vai durar 90 dias, o banco não estabeleceu prazo para encerrar o mutirão de dívida habitacional. 
A Caixa espera recuperar R$ 1 bilhão com a regularização, de um universo de R$ 10,1 bilhões de dívidas em atraso de 5,2 milhões de contratos ativos --entre eles, do programa Minha Casa, Minha Vida, embora o banco não detalhe o número total desses imóveis na renegociação.
Ao quitar as pendências, defende, essas pessoas voltam a consumir –em um momento em que o governo precisa de uma ajuda para a retomada da economia, após o PIB (Produto Interno Bruto) recuar 0,2% no primeiro trimestre do ano.
“O objetivo é ajudar as pessoas a evitarem a perda das casas, ajudar as pessoas que estão com desequilíbrio temporário financeiro, a pessoa perdeu o emprego, a fazer um esforço e tentar resolver isso ao longo do tempo, e também gerar um benefício para a sociedade brasileira, porque ao normalizar isso o máximo possível, a gente consegue ter uma volta de consumo seja para a economia, seja para a Caixa.”
Entre as opções oferecidas está a de pagar à vista uma entrada e incorporar as parcelas atrasadas em prestações a vencer. Também poderão usar o saldo do FGTS para quitar até três prestações atrasadas, ou mudar a data de vencimento das prestações –algo que o banco não permite hoje.
O banco quer também dispensar do pagamento de juros e multa cerca de 51 mil famílias com atraso superior a 180 dias, se elas pagarem uma prestação de entrada. Segundo Guimarães, o benefício será aplicado aos casos em que juros e multa somem quase o valor de uma prestação.
RENEGOCIAÇÃO
Na semana passada, a Caixa anunciou um programa de renegociação que deixava de fora débitos com garantia, como crédito habitacional. O banco também exige que o cliente tenha em mãos o dinheiro para pagar o valor acertado com o banco. A ideia é recuperar R$ 1 bilhão.
Essas dívidas têm valor entre R$ 50 e R$ 5 milhões. São 2,629 milhões de pessoas físicas e 319.960 pessoas jurídicas. O banco vai oferecer desconto de 40% a 90% –o médio deve ficar em torno de 86%. O valor vai ser definido a partir do perfil do cliente –faixas com mais dificuldade de quitar a dívida receberão abatimento maior.
A renegociação pode ser feita pelo site da Caixa ou pelo site www.negociardividas.caixa.gov.br. O banco disponibilizou ainda um número de telefone (0800 726 8068, opção 8).
Também será possível negociar em agências da Caixa, pelo Twitter (twitter.com/caixa) ou pelo messenger do Facebook (facebook.com/caixa).
O banco vai consultar o cliente para saber qual a melhor forma de enviar o boleto.
Fonte: Folha Online - 05/06/2019

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Não há chance de Minha Casa Minha Vida ser interrompido, diz presidente da Caixa

Não há chance de Minha Casa Minha Vida ser interrompido, diz presidente da Caixa

Publicado em 20/05/2019 , por Denise Luna e Vinicius Neder
Em evento do setor de construção, Pedro Guimarães defendeu melhorias operacionais no programa para habitação de baixa renda
RIO - O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou nesta sexta-feira que não há chance de o Minha Casa Minha Vida (MCMV) ser interrompido, mas defendeu melhorias operacionais no programa para habitação de baixa renda e disse que nada será mudado sem ouvir o setor da construção civil.
Em discurso no 91.º Enic, encontro do setor da construção, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), no Rio, Guimarães disse, sem usar o nome adotado nos governos do PT, que o "programa de baixa renda" é foco do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes.
"Não tem nenhuma chance de esse programa ser interrompido. Nada será feito no Minha Casa Minha Vida sem que vocês sejam ouvidos", afirmou Guimarães, dirigindo-se à plateia formada por executivos do setor da construção.
Segundo Guimarães, é preciso "entender melhor" os problemas do MCMV. Ainda assim, o executivo citou o alto número de imóveis devolvidos como um problema e disse que "a questão toda é como dar o subsídio e como se precifica isso". " A análise de risco tem que melhorar. Não é que o programa é ruim", afirmou.
O presidente da Caixa aproveitou o evento para anunciar uma linha para capital de giro para empresas do setor da construção. "A gente vai lançar em larga escala um programa de ajuda para vocês de capital de giro", afirmou Guimarães.
Fonte: Estadão - 17/05/2019

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Para vencer a crise, construção civil está deixando o conservadorismo

Para vencer a crise, construção civil está deixando o conservadorismo

Em meio aos escândalos de corrupção, às investigações da Operação Lava-Jato e a severa recessão econômica, algo de novo aconteceu na construção civil, setor responsável por 6% do PIB nacional. 
Enquanto os canteiros de obras minguavam país afora, profissionais que conheciam de perto os gargalos do ramo — muitos deles demitidos pela redução da ­atividade — passaram a empreender. Até então fechado e obsoleto, o ­mercado foi ganhando impulso criativo e, aos poucos, retomou o fôlego.
Após cinco anos de retração, que levaram o segmento a encolher 20,5% de 2014 a 2018, a expectativa é que, enfim, haja crescimento em 2019. O número ainda é tímido, de 1,3%, mas representa um alento. 
Segundo Amure Pinho, presidente da ABStartups, embora não sejam as principais responsáveis pela retomada, as construtechs (startups do setor de construção civil) ajudaram a empurrar a curva para cima. 
“A natureza desses negócios é solucionar problemas para ganhar escala. Quando eles prosperam, toda a cadeia pode ser impactada positivamente”, diz ele, que estima neste ano um aumento de 25% no volume de empresas novatas com perfil inovador. 
Só em 2017, um levantamento da Construtech Venture, fundo que investe em startups da área, mapeou 562 negócios desse tipo — 116% mais do que em 2016. O potencial do segmento é enorme. O ecossistema global, por exemplo, possui 6 000 construtechs. Em 2018, mais de 7,3 bilhões de dólares foram investidos nelas em todo o mundo.
“No Brasil, há quem empreende por necessidade, mas muitos enxergam que o momento é favorável”, avalia Bruno Loreto, CEO da Construtech Venture. Nos últimos quatro anos, em vez das construtoras gigantonas, foram as startups que movimentaram o mercado.
Um caso emblemático é a Vitacon. Fundada há nove anos pelo engenheiro Alexandre Frankel, de 41 anos, começou pequena e, nos anos de crise, deslanchou ao vender imóveis compactos (com plantas de 10 a 77 metros quadrados) a preços mais atraentes (a partir de 90 000 reais). Os apartamentos, funcionais, ficam sempre próximos a áreas comerciais e estações de metrô da capital paulista.
Ao todo, a novata lançou 62 prédios e captou 2 milhões de reais de investidores. Em 2018, o faturamento foi de 1,3 bilhão de reais. 
“Crescemos 60% de 2017 para 2018. A projeção para este ano é lançar 3 000 apartamentos e alcançar 2,3 bilhões de reais em faturamento”, afirma Alexandre, que cresceu apostando na força da tecnologia para oferecer um novo jeito de morar na maior cidade do país. 
Os empreendimentos têm aplicativos que permitem ao morador solicitar serviços, como o de andador de cachorro e personal trainer, fazer pagamentos e se informar sobre os eventos promovidos nos edifícios, como aulas de ioga ou debates. Hoje, a Vitacon conta com 300 funcionários e prevê aumentar o quadro em 50% até o final de 2019. 
“Estamos abertos a receber profissionais de todas as áreas, mas principalmente ligados a marketing digital, análise de dados, experiência do consumidor e vendas”, afirma o CEO, que entrevistará pessoalmente os novos contratados. “Pretendo conversar com cada um que está entrando para nosso time.”
Via de mão dupla
Ao quebrar paradigmas com soluções inovadoras, startups chamam a atenção de grandes empresas, que se veem obrigadas a deixar a aversão tecnológica de lado. “Ainda há uma grande dificuldade de gestão na construção civil. 
A demanda por sistemas e aplicativos que ajudem a evitar erros e desperdícios de materiais, produzir mais com menos e facilitar a vida dos futuros moradores é enorme. 
Isso vale para a construção pesada, mas também para o mercado imobiliário, de facilities e de manutenção”, diz Gleidson Lima, professor do MBA de gestão de negócios de incorporações e construção imobiliária na Fundação Getulio Vargas. 
Isso explica por que companhias tradicionais estão criando programas de inovação aberta, fundos de investimento e aceleradoras.
É o caso da construtora Andrade Gutierrez. Ainda superando os efeitos da Operação Lava-Jato, ela lançou no ano passado um programa de aceleração com o objetivo de resolver os desafios enfrentados em suas obras. 
O primeiro ciclo recebeu mais de 150 inscrições: as sete construtechs selecionadas puderam validar soluções nas obras da construtora e receberam mentorias com especialistas, financiamento para o projeto piloto e um espaço de coworking dentro do escritório em São Paulo. 
“Quatro delas já foram contratadas e hoje são nossas fornecedoras”, diz André Medina, gerente de inovação da Andrade Gutierrez. Em vez de enca­rá-las como ameaça, André diz que a organização passou a enxergá-las como parceiras de negócio. “Quem não estiver fazendo conexão com elas, corre o risco de sumir.”
Outra empresa que aposta nos jovens criativos é a Vedacit, que comercializa produtos impermeabilizantes. Desde 2016, ela já investiu meio milhão de reais em cinco construtechs, que renderam inovações como um sensor para medir o tempo de cura do concreto e uma plataforma que faz a gestão de resíduos nos canteiros de obras, rastreando os rejeitos até a destinação final — ideias que deverão ser lançadas no mercado. 
“A expectativa é que até 2023 a empresa tenha um incre­mento das receitas de até 5% com essas iniciativas. Queremos ser um hub de inovação e conectar outras startups à indústria da construção”, afirma Luís Fernando Guggenberger, gerente de sustentabilidade e inovação da Vedacit.
Do lado das novatas, o desafio é convencer as grandes empresas que a solução desenvolvida fará a diferença para a operação. Foi o que fizeram o engenheiro civil Diego Mendes e o engenheiro de software Leandro Mascarenhas, ambos de 32 anos, fundadores da Construcode, que faz gestão de documentos das obras via QR Codes.
A invenção resolve, de fato, um problema. Quando um projeto de engenharia nasce, há projeções em escala de até seis dimensões. Apesar da tecnologia, tudo é impresso em enormes papéis, que direcionam a execução nos canteiros, dando margem a erros. Pois a dupla subverteu essa lógica.
Com celulares e tablets, o pessoal da obra aponta o aparelho para os códigos espalhados por paredes ou totens e tem acesso imediato a plantas e documentos. Isso minimiza erros em até 38% e reduz até 90% dos custos com impressão, demolição e descarte de entulhos.
Com capital próprio, os sócios investiram 50 000 reais para desenvolver a plataforma. Fundaram a companhia em 2017, em Salvador. Três meses depois, com o modelo de negócios validado, levantaram mais 200 000 reais pela Anjos do Brasil, entidade de fomento ao empreendedorismo por meio de investimento-anjo.
Foi só depois de aprimorar a tecnologia que a dupla começou a apresentar a invenção. Engajado, Diego tomou a frente da prospecção. Participando de eventos de inovação aberta, foi fazendo contatos.
Em pouco tempo, Diego ficou conhecido e passou a conseguir espaço na agenda de diretores e CEOs. Quando se encontrava com eles, ­oferecia teste gratuito por 15 dias para que usassem a inovação em campo. 
“Mostrávamos que era possível combater os atrasos na construção com nosso produto”, diz. A construtech baiana é avaliada em 3,5 milhões de reais e, em apenas dois anos, cresceu 350% em valor de mercado. 
“Nosso objetivo é trabalhar com as oito grandes construtoras do país”, afirma Diego. Andrade Gutierrez e Braskem são algumas das companhias com as quais eles já fecharam contrato.
Num setor em franca expansão, há quem esteja até dispensando dinheiro. É o caso da administradora de empresas Larissa Soares, de 26 anos.
Ao acompanhar a insatisfação de um amigo ao realizar obras em seu imóvel, ela teve um insight: “E se criasse uma plataforma para fazer a conexão entre clientes e arquitetos, oferecendo pacotes de reformas, obras e até decoração?”
Como tinha a bagagem de uma startup de educação, na qual atuou com marketing e vendas, criou a Em Canto Meu.
Com o investimento de 256 reais, iniciou em 2017 uma página simples na internet para divulgar o serviço e partiu em busca de clientes. 
A estratégia incluiu divulgação entre amigos, participação em grupos de WhatsApp de condomínios e corretores de imóveis e ações de ­marketing nas proximidades de lançamentos imobiliários. 
Tudo isso para atingir o público-alvo: pessoas de 25 a 40 anos que estão montando a casa, própria ou alugada, e buscando preços acessíveis.
Todo o dinheiro que entrava era reinvestido no negócio, que se transformou em uma plataforma digital e já atendeu 360 clientes em 25 cidades do Brasil e seis países. 
Mesmo tendo passado por duas aceleradoras, ela e o atual sócio, o engenheiro de software Gabriel Napchan, de 29 anos, optaram por não captar aportes, para manter a autonomia. 
“Estamos crescendo organicamente. Em um ano, a receita aumentou 600% e a expectativa é que o time triplique até o fim do ano”, diz Larissa, que saiu do espaço de uma aceleradora para um escritório próprio, em São Paulo, com quatro pessoas nas áreas de atendimento ao cliente, comercial, mar­keting e gerenciamento de obras. 
As startups cavaram o terreno, fincaram as fundações e pavimentaram a estrutura do novo mercado. Embora não dê para enxergar seu tamanho, tudo indica que a obra será enorme.

fonte: Ademi RJ